Frio e vento rijo

Ar fresco

ei você que lê
lê que você ei
de um dia
anoitecê!

(c)idade da pedra

pedra lascada
lata amassada
domínio do fogo

na cidade de pedra
qualquer idade
é a idade da pedra

hoje mesmo
vi um lindo ninho
numa estranha árvore
era fria
pálida
morta
era um poste

isso será isso
assim o chamarei
se eu for rei
nem insisto
isso será isso

depontacabeça

vivos fracos
mortos fortes

velhos rótulos
a novos frascos

mortos frescos
jovens mortos

novos rótulos
a velhos frascos

assédio textual

comprei um caderninho
pra escrever coisas
não escrevi nada
até agora

forcei a barra
peguei uma caneta
e estuprei o papel
fiz a hora

achei numa coluna de jazz...


raulzito
um sussurro
um silêncio
um grito

injusto é
ter olhos e pernas
braços e bocas
com ditames
cercas
e arames
colocadas
pelo medo
medo de quê?
disso mesmo:
da dúvida

poemazia

da azia
pari a
poemazia

parto normal
volto anormal

nada de luxo
a azia
é um poema
do estômago
em refluxo

Homo sonorus

sempre emito sons.
mesmo parado,
mesmo parado não estou parado.
por isso emito sons.
no mínimo o coração pulsa
por isso tenho cuidado,
pra não soar qualquer som.
já que é inevitável,
que seja algo bom.

não somos ocidente
mas ocidentalizados

todo dia o dia todo

contentes?
contentados!

todo dia o dia todo

queira mais oriente
só que menos gente


toda noite a noite toda

Nuvens
Tão referidas
Apedrejadas e
Buscadas
Acima delas
Não há chuva
O Sol
Sempre brilha
A(l)tivo
Sem mim
Sem você
Ele seria?

quando criança
tudo era Uno
sem fim
começo
ou rumo
apesar de distante
ainda ouço
baixinho
aquele sopro

Rara arte
Que farejo
Onde estarás?
Índex
Do meu desejo